Manejo integrado de percevejos na soja: como proteger a produtividade e a qualidade desde a semente?

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Os percevejos deixaram de ser considerados apenas pragas de final de ciclo para assumir, nas últimas safras, um papel central nos desafios da sojicultura brasileira. A pressão crescente, associada a sua capacidade de afetar diretamente a produtividade e a qualidade dos grãos, exige do produtor uma abordagem muito mais estratégica: uma abordagem de Manejo Integrado, que começa antes mesmo da semeadura. 

E, quando o objetivo é preservar não só rendimento, mas também padrão industrial e vigor de sementes, o papel da genética e da qualidade da semente (incluindo processos de TSI) torna-se decisivo. 

Neste blogpost, você confere: porque o complexo de percevejos cresceu tanto; quais espécies mais impactam a soja; como esses insetos afetam a produtividade e a qualidade; o que é, na prática, um Manejo Integrado de Percevejos; como a semente – genética, qualidade fisiológica e TSI – contribui para reduzir perdas e garantir estabilidade.

Percevejos na soja: de praga de final de ciclo a desafio  durante toda a safra 

A intensificação da pressão de percevejos no Brasil não é um fenômeno pontual, mas resultado de diversos fatores: 

  • presença de soja guaxa e plantas voluntárias, mantendo populações ativas entre safras;
  • integração soja–milho e milho tiguera, servindo de abrigo e alimento;
  • aumento das áreas em sucessão, permitindo maior fluxo populacional entre talhões;
  • mudanças climáticas que favorecem espécies como o percevejo-marrom. 

O complexo de percevejos é hoje um dos principais fatores de perda da cultura, especialmente em regiões com histórico de alta pressão. Mais do que perdas de produtividade, estudos mostram que percevejos impactam a qualidade de grãos, o teor de óleo e até o vigor das sementes, um ponto crítico para quem produz e utiliza sementes de alta qualidade. 

E é por isso que o manejo integrado deixou de ser opcional para se tornar parte do cotidiano da lavoura.

Complexo de percevejos da soja: quem são e como cada um ataca?

O produtor convive com três espécies principais, cada uma com comportamento, agressividade e impacto distintos. 

  1. Percevejo-marrom (Euschistus heros) 

É a espécie mais frequente no país e a mais importante economicamente. 

  • coloniza o dossel e perfura vagens e grãos; 
  • causa perda de peso dos grãos e queda de vagens; 
  • provoca o fenômeno conhecido como “grãos chochos”. 

Essa espécie domina a maior parte dos talhões brasileiros. 

  1. Percevejo-verde-pequeno (Piezodorus guildinii) 

Mais agressivo e com impacto ainda maior sobre qualidade. 

  • causa enrugamento extremo dos grãos; 
  • afeta severamente o teor de óleo; 
  • reduz vigor e germinação em lotes de sementes. 

Tem aumentado sua incidência em áreas do Cerrado e do Sul.  

  1. Percevejos barriga-verde (Dichelops spp.) 

Mais relacionados ao milho, mas têm sido registrados ataques em soja jovem, principalmente: 

  • áreas recém implantadas; 
  • sistemas com milho safrinha próximo; 
  • regiões com tiguera persistente. 

É crítico para áreas que sofrem danos precoces no estande.

O que está em jogo? Produtividade, qualidade de grãos e vigor de sementes

Percevejos afetam a soja em três aspectos diferentes, e todos têm impacto direto no resultado da safra. 

1. Produtividade

Estudos de campo indicam perdas na ordem de 75 kg/ha por percevejo/m², variando conforme o estádio fenológico e o tempo de permanência da praga na área. 

Os principais efeitos: 

  • queda de vagens; 
  • abortamento de grãos; 
  • grãos incompletos (chochos). 

2. Qualidade industrial

O efeito da sucção gera: 

  • grãos enrugados, manchados e leves;
  • redução no teor de óleo; 
  • pior rendimento industrial. 

3. Vigor e germinação de sementes

O ataque de percevejos pode: 

  • reduzir germinação; 
  • diminuir vigor; 
  • gerar plântulas fracas; 
  • comprometer análises. 

Isso cria um elo direto com produtores de sementes e com marcas que priorizam qualidade fisiológica, como a Nidera Sementes. 

Manejo Integrado de Percevejos na soja: uma visão completa 

O Manejo Integrado de Percevejos (MIP) começa antes do plantio e segue até a colheita. Ele é um conjunto de práticas, não uma ferramenta isolada. 

Pré-plantio: eliminar fontes de infestação 

  • dessecação antecipada; 
  • manejo de plantas daninhas hospedeiras; 
  • eliminação de soja guaxa (“ponte verde”); 
  • rotação e planejamento conforme o histórico da área. 

A eliminação de hospedeiros é uma das estratégias mais efetivas para reduzir a pressão inicial. 

Vegetativo: monitoramento e uniformidade do estande 

  • uso de pano de batida; 
  • amostragens padronizadas; 
  • atenção ao percevejo barriga-verde em áreas com milho próximo. 

Aqui entra o TSI (Tratamento de Sementes Industrial) como uma camada de proteção inicial para áreas com histórico de Dichelops spp., desde que respeitada a recomendação regional. 

Reprodutivo (R3–R6): a janela mais crítica 

  • intensificar monitoramento (1–2 vezes por semana); 
  • seguir níveis de ação regionais; 
  • priorizar aplicação bem posicionada no tempo; 
  • ajustar a tecnologia de aplicação para atingir percevejos no baixeiro. 

O controle biológico também pode ser integrado, especialmente com parasitoides. 

Pós-colheita: evitar reinfestações 

  • controle de guaxa; 
  • manejo de palhada; 
  • eliminação de hospedeiros alternativos; 
  • planejamento antecipado para a próxima safra. 

O MIP é uma sequência de decisões coordenadas ao longo de toda a safra, não um momento isolado. 

Onde as sementes entram no manejo de percevejos? 

Semente é mais que início do ciclo, é uma ferramenta ativa do manejo. 

a) Genética que contribui para tolerância e estabilidade

Cultivares diferem entre si em: 

  • arquitetura de planta; 
  • altura e inserção de vagens; 
  • distribuição de massa foliar; 
  • capacidade de compensação; 
  • adaptação regional e estabilidade produtiva. 

Essas características não impedem o ataque, mas ajudam a planta a conviver melhor com o percevejo com menor impacto final. Cultivares com melhor arquitetura e capacidade de compensação tendem a segurar melhor a produtividade diante da presença de pragas. 

b) Qualidade fisiológica da semente

Sementes de alto vigor resultam em: 

  • emergência rápida; 
  • plântulas fortes; 
  • estande uniforme; 
  • menor perda relativa em ataques iniciais. 

Plantas vigorosas têm maior tolerância a estresses, inclusive bióticos. 

c) TSI (Tratamento de Sementes Industrial) como primeira camada de proteção

O TSI é um processo de alta tecnologia que proporciona proteção inicial uniforme e precisa, e esse ponto se conecta diretamente ao MIP. 

No contexto de percevejos, o TSI: 

  • pode reduzir impactos iniciais de barriga-verde em áreas históricas; 
  • protege o estande; 
  • favorece a uniformidade, o que facilita o manejo ao longo da safra. 

d) Cultivares focadas em qualidade de grãos e sementes

Como percevejos afetam teor de óleo, vigor e germinação, o produtor que escolhe cultivares com foco em qualidade e faz o manejo correto preserva: 

  • padrão industrial; 
  • qualidade do lote de sementes; 
  • valor da colheita. 

Genética certa + semente de alta qualidade + manejo bem feito = lavoura mais resiliente ao complexo de percevejos. 

O manejo integrado de percevejos começa na decisão de semeadura 

Como vimos, os percevejos seguem entre os principais desafios da soja brasileira, não apenas pelo potencial de perda de produtividade, mas pela capacidade de comprometer qualidade de grãos e vigor de sementes. 

O manejo integrado exige: 

  • diagnóstico da área; 
  • monitoramento constante; 
  • integração de ferramentas; 
  • aplicações no momento correto; 
  • e, especialmente, uma semente à altura do desafio. 

Com genética adaptada, qualidade fisiológica elevada e TSI de precisão, o produtor constrói desde o dia do plantio uma lavoura mais preparada para expressar o seu máximo potencial produtivo. 

Explore nosso portfólio completo e descubra a cultivar e o TSI ideal para os seus desafios!  

Se tem soja de alta performance, tem Nidera!    

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